Visão de crianças e adolescentes na escola merece atenção

Kids Saúde

As crianças e os adolescentes em ensino presencial demandam  uma atenção especial à saúde ocular, especialmente neste período de pandemia.  Alguns fatores importantes precisam ser levados em conta, como a atenção com a acuidade visual, cuidados com a contaminação do coronavírus pelos olhos e dicas para evitar o embaçamento dos óculos. 

Com o aumento comprovado da miopia em razão da pandemia, é importante que pais e professores estejam atentos às dificuldades de visão. 

No Brasil, dados levantados pelo Ministério da Saúde em 2019 mostram que aproximadamente 35 milhões de brasileiros convivem com a miopia, número que sofreu acréscimo acelerado nos dois últimos anos. 

Estudo recente com médicos oftalmologistas, realizado entre abril e junho deste ano pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), demonstrou que entre os que verificaram aumento dos graus de miopia, 6% apontaram o problema em 75% dos pacientes, 27% relataram a situação em 50% dos pacientes e 67% registraram o quadro em cerca de 25%.

Dos profissionais ouvidos, 75,6% avaliaram que o uso de diversos dispositivos eletrônicos pode agravar o quadro de miopia. Outros 22% entenderam que esse fator pode influenciar, mas apenas com uso de tablets e celulares. Apenas um pequeno percentual não viu relação entre os dois fenômenos.

Segundo a oftalmologista Marina Roizenblatt, “a primeira medida preventiva a ser tomada é a realização de um exame oftalmológico completo, a fim de se estabelecer o diagnóstico e, consequentemente, definir o tratamento adequado para cada caso.”

Uma das recomendações da especialista para evitar o aumento de miopia em crianças é fazer pausas a cada 1 hora nas atividades realizadas em telas eletrônicas, introduzir leituras impressas e, se possível, realizar atividades externas em que se foque distâncias maiores que 1 metro. Outras indicações são: limitar o uso de aparelhos como telefones celulares, tablets e televisões, com especial atenção à hora de dormir; diminuir a luminosidade destas telas e não usá-las em ambientes totalmente escuros.

Outro fator de atenção é a transmissão do vírus pelos olhos. Um estudo feito por pesquisadores da universidade Johns Hopkins apontou que a mucosa dos olhos pode servir tanto como porta de entrada, quanto como reservatório do novo coronavírus. Isso significa que o vírus  pode entrar e ficar armazenado nos olhos por um tempo. 

“Uma medida fundamental para evitar a contaminação é a higienização frequente das mãos com álcool 70% ou com água e sabão, evitando a transmissão do vírus para a região ocular. Outra maneira de proteger os olhos é o uso de equipamentos que evitem levarmos as mãos aos olhos, como óculos de proteção eprotetores faciais. Os óculos de grau também funcionam como barreira”, comenta Marina. 

Um detalhe que pode representar um incômodo para os estudantes que usam óculos é como fazer para evitar o embaçamento das lentes. Vale entender a ciência por trás de tal fenômeno: há a presença de partículas de água no estado de vapor no ar que expiramos, quando o ar quente proveniente da nossa respiração atinge a fria superfície das lentes dos óculos, a água no estado gasoso, torna-se líquida, formando gotículas nas lentes dos óculos, as quais são as grandes responsáveis pelo desagradável embaçamento. 

“A dica de ouro para resolver esta questão é escolher uma máscara que se acople bem a face, principalmente à região do nariz, de modo que impeça que o ar expirado suba para os óculos. As máscaras modeláveis ao formato do rosto e que dispõe do chamado “clip nasal” são a solução ideal. Caso isso não seja suficiente, use um pedaço de esparadrapo (tipo “micropore”) para colar a face superior da máscara na região nasal e das bochechas, isso bloqueia de modo definitivo o escape de ar em direção aos óculos. O importante é que, tanto os óculos quanto a máscara são ferramentas fundamentais ao período de volta às aulas e ambos devem conviver em harmonia” conclui a oftalmologista.

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