Escola Makiguti realiza o Dia da Saúde, destacando o combate e conscientização sobre a violência contra a mulher

Cidade

Uma pesquisa feita pelo equipamento com alunos foi apresentada no evento, indicando que ao menos 54% dos entrevistados já presenciaram algum tipo de violência doméstica ou familiar

A Escola Técnica de Saúde Pública Professor Makiguti, equipamento administrado pela Fundação Paulistana de Educação, Tecnologia e Cultura, promoveu nesta terça-feira, 28 de maio, o Dia da Saúde Makiguti, realizado no CEU Água Azul, na zona leste da cidade. O evento destacou a prevenção da violência doméstica e familiar sofrida por mulheres, apresentando indícios e meios de combate ao ato.

Na data, ocorre o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e também o Dia Nacional da Redução da Mortalidade Materna. Durante o dia são realizadas ações de enfrentamento aos retrocessos e de combate a violência da mulher. Na oportunidade, movimentos feministas ressaltam a ideia de que a saúde da mulher não se trata somente de doenças e maternidade, mas sim da saúde integral da mulher, sendo física, mental e emocional. 

Com a participação dos alunos de gerência em saúde do módulo I da Makiguti, foi apresentada uma palestra sobre violência contra a mulher, além de uma pesquisa  produzida pela escola com 360 alunos. O objetivo foi abordar o conhecimento e entendimento sobre violência moral e física, evidenciando métodos de denúncia e a divulgação de programas como o Tem Saída, ação promovida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho que possibilita a independência financeira para mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

O estudo feito pela escola questionou os alunos sobre possíveis causas de agressão contra a mulher. Dos nove itens possíveis de assinalar, cada aluno poderia selecionar até quatro opções. As mais citadas foram alcoolismo, com 22%, obsessão pela parceira (se sentir dono dela) com 21%, recusa em ter relações com o parceiro, 16% e problemas familiares, 11%.

A pesquisa indica também que ao menos 54% dos entrevistados já presenciaram algum tipo de violência contra a mulher, seja física, psicológica ou moral. Dados obtidos pelo questionário aponta que a falta de recursos financeiros, com 24%, é o maior obstáculo em que a vítima enfrenta para se livrar do agressor. Segurança dos filhos aparece em seguida com 21%.

“A orientação e conscientização sobre violência doméstica é fundamental para a prevenção de atos violentos. O programa Tem Saída trabalha em prol da mulher que busca a independência financeira de seu agressor, possibilitando uma oportunidade de emprego formal. Até o momento foram atendidas cerca de 354 vítimas, que foram encaminhadas para oportunidades de emprego”, explica a secretária de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Aline Cardoso.

Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2016, o Brasil liderou o ranking de assassinatos de mulheres trans no mundo, totalizando 144 mortes. A expectativa de mulheres trans no país é de 35 anos. Mulheres trans tendem a sofrer mais violência, tendo em vista que a falta de apoio e respeito entre os familiares infelizmente é comum. Trans e travestis muitas vezes são expulsas de casa, sendo obrigadas a enfrentar a exclusão de escolas e trabalhos, o que potencializa os riscos de intolerância sexual e de identidade de gênero.

Programa Tem Saída

O Tem Saída, lançado em agosto de 2018, é uma política pública voltada à autonomia financeira e empregabilidade da mulher em situação de violência doméstica e familiar. A ação é uma parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Prefeitura de São Paulo, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, OAB-SP e ONU Mulheres.

O Tem Saída conta com o apoio de empresas privadas, que viabilizam vagas de emprego para as mulheres atendidas pelo programa. Esse conjunto de esforços busca promover a reinserção dessas mulheres no mercado de trabalho contribuindo para a independência financeira da mulher e o fim do ciclo de violência.

Como funciona?

A vítima em situação de violência doméstica e familiar será atendida pelo Programa Tem Saída a partir do momento em que ingressa com uma denúncia contra o agressor no Ministério Público, Defensoria Pública, Poder Judiciário ou Delegacia.

Após passar pelos órgãos de justiça, a mulher é encaminhada aos equipamentos de seleção de emprego da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. As candidatas passam por processo seletivo diferenciado, com apoio da equipe técnica  do CATe – Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo, e das áreas de recursos humanos das empresas parceiras. As equipes da Prefeitura e de recursos humanos das empresas receberam treinamento específico para atender as mulheres vítimas de violência.

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